Adolescência e redes sociais: o que está por trás de tantos “likes”?
- Roberta Calixto
- 3 de mai.
- 2 min de leitura

A adolescência já é, por natureza, uma fase de muitas mudanças. É quando o jovem começa a se perguntar quem é, como quer ser visto e qual é o seu lugar no mundo. E hoje, grande parte dessas descobertas acontece dentro das redes sociais.
Postar uma foto, gravar um vídeo ou acompanhar a vida de outras pessoas não é apenas entretenimento. Para muitos adolescentes, isso está diretamente ligado à forma como eles se sentem consigo mesmos.
A cada curtida, comentário ou visualização, existe uma sensação de reconhecimento. É como se o outro dissesse: “eu te vejo”, “você importa”. E isso tem um peso enorme nessa fase da vida, em que a aprovação do outro é muito importante.
Mas o problema começa quando essa validação passa a ser necessária o tempo todo.
Quando uma foto não tem muitas curtidas, quando alguém não responde uma mensagem ou quando o adolescente se compara com vidas aparentemente “perfeitas”, podem surgir sentimentos como frustração, insegurança e até tristeza.
Isso acontece porque, nas redes sociais, as pessoas costumam mostrar apenas recortes da realidade — momentos felizes, corpos “ideais”, conquistas. O que não aparece são as dúvidas, os medos e as dificuldades, que fazem parte da vida de qualquer pessoa.
Outro ponto importante é a pressão para “ser alguém” o tempo todo. Muitos adolescentes sentem que precisam manter uma imagem, agradar, se encaixar. Isso pode afastá-los de quem realmente são, gerando um cansaço emocional silencioso.
Além disso, tudo nas redes acontece muito rápido. As respostas são imediatas, as informações chegam o tempo todo. E isso pode dificultar algo essencial: o tempo de pensar, sentir e elaborar as próprias emoções.
Mas nem tudo é negativo.
As redes também podem ser um espaço de conexão, criatividade e expressão. Muitos jovens encontram ali formas de se comunicar, fazer amigos e até se conhecer melhor.
O ponto de atenção não é o uso em si, mas a forma como esse uso impacta o bem-estar emocional.
Para os adultos — pais, responsáveis e educadores — o mais importante não é apenas vigiar ou limitar, mas estar disponível para conversar. Perguntar, escutar sem julgamento e acolher o que o adolescente sente faz toda a diferença.
Porque, no fundo, por trás de cada curtida, existe algo muito mais importante: o desejo de ser visto, reconhecido e aceito.
E isso começa, antes de tudo, nas relações reais.
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